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Tênis: partida longa, sol e troca de camisa

Publicado em 26 de agosto de 2026 · por Soffie Biocosméticos

Resposta direta

Em partida longa de tênis o problema não é o pico de esforço, é o acúmulo. O corpo produz calor mais rápido do que consegue dissipar em quadra ensolarada, e a diferença fica armazenada: a temperatura central sobe aos poucos e não volta ao normal nos vinte segundos entre pontos. Ao mesmo tempo, a taxa de suor pode passar de 1,5 litro por hora, enquanto o estômago esvazia algo perto de 1 litro por hora e só existe pausa real a cada dois games. Repor tudo durante o jogo é fisicamente impossível. O déficit de água reduz o volume plasmático, o que diminui o fluxo de sangue para a pele e a própria produção de suor, fechando um ciclo que piora a dissipação justamente quando ela é mais necessária.

Calor armazenado: a conta que não fecha em quadra

Termorregulação é um balanço. De um lado, o calor produzido pelo músculo e o calor recebido do ambiente. Do outro, o calor dissipado por evaporação, radiação, convecção e condução. Quando a produção supera a dissipação, a diferença não desaparece: fica armazenada no corpo e aparece como aumento da temperatura central.

O tênis é um esporte intermitente, com pontos curtos e pausas frequentes, o que dá a impressão de que há tempo de sobra para recuperar. Não há. As pausas entre pontos duram cerca de vinte segundos e as trocas de lado, noventa. Isso basta para o coração desacelerar um pouco, mas não basta para devolver ao ambiente o calor acumulado.

Em quadra externa, o balanço piora por três vias ao mesmo tempo. Há radiação solar direta. Há radiação refletida pelo piso, que em quadra dura ao sol pode ficar bem mais quente do que o ar. E há o próprio ar quente parado, porque quadras costumam ter alambrado e pouca ventilação cruzada.

Some duas ou três horas disso e o resultado é previsível: a temperatura central sobe de forma lenta e persistente ao longo da partida, e é esse patamar acumulado, não um pico isolado, que produz a queda de rendimento no terceiro set.

Por que é impossível repor o que se perde durante o jogo

A taxa de suor de um jogador em dia quente varia bastante, mas passar de 1,5 litro por hora não é excepcional. Alguns chegam a mais.

Do outro lado da equação está uma limitação fisiológica pouco negociável: o estômago esvazia líquido a uma velocidade limitada, em torno de um litro por hora em condições favoráveis, e menos do que isso em exercício intenso, quando parte do fluxo sanguíneo é desviado do trato digestivo para a musculatura e a pele.

Ou seja, mesmo bebendo em todas as trocas de lado, a reposição fica abaixo da perda. Um déficit se acumula.

Esse déficit tem consequência mecânica direta. Água perdida no suor sai também do plasma, e um volume plasmático menor significa menos sangue disponível para dois destinos que competem entre si: o músculo em atividade e a pele, onde o calor é liberado. O corpo dá prioridade à pressão arterial, e o fluxo cutâneo é reduzido. Com menos sangue chegando à pele, dissipa-se menos calor. Em déficits maiores, a própria taxa de suor cai.

É por isso que a desidratação e o calor não são dois problemas separados. Um alimenta o outro.

Sódio, suor salgado e cãibra

O suor não é água pura. A concentração de sódio varia muito entre pessoas, e essa variação é real e mensurável, não impressão.

Quem tem suor mais salgado costuma notar resíduo branco no boné, na camisa preta e na sobrancelha depois do jogo. Em partida longa, a perda de sódio dessa pessoa pode ser várias vezes maior do que a de outro jogador na mesma quadra.

Isso importa por dois motivos opostos. Primeiro, perda alta de sódio se associa a cãibras em alguns atletas. Segundo, e menos comentado, beber muita água pura para compensar uma perda que foi de água e sal pode reduzir a concentração de sódio no sangue. Esse quadro, chamado hiponatremia, é raro mas sério, e acontece justamente com quem exagera na hidratação achando que está fazendo tudo certo.

O ponto prático é sóbrio: beba conforme a sede e a duração, considere reposição com sódio em jogos longos e quentes, e desconfie de qualquer regra fixa em litros que ignore o seu peso, o seu clima e o quanto você sua.

A troca de camisa resolve o que exatamente

A troca de camisa entre sets é um dos gestos mais visíveis do tênis, e o motivo mais citado para ela é errado.

Uma camisa encharcada não impede o resfriamento. Ao contrário: o tecido molhado espalha água por uma área maior do que a pele conseguiria manter sozinha, e essa água evapora, retirando calor. Do ponto de vista puramente térmico, trocar por uma camisa seca até interrompe temporariamente uma via de resfriamento.

O que a troca resolve de fato é outro conjunto de coisas, e todas legítimas: o peso da peça encharcada, a camisa colando no corpo e atrapalhando o movimento, o atrito da cava molhada contra a axila e a sensação desagradável que compete com a atenção no jogo.

Na axila, especificamente, a troca ajuda porque interrompe algumas horas seguidas de tecido úmido em contato com pele já macerada. É atrito e conforto, não termorregulação.

O que muda conforme a condição da partida

CondiçãoCarga térmicaPerda de águaPrioridade práticaCuidado com a axila
Quadra coberta, ar amenoBaixaModeradaBeber por hábito nas trocasBaixo
Quadra externa, manhã cedoMédiaAltaBoné e sombra no bancoTrocar camisa no fim
Quadra dura ao sol do meio-diaMuito altaMuito altaEncurtar o jogo se necessárioAlto, dobra úmida por horas
Saibro em dia úmidoAltaMuito altaEvaporação ruim, mais suorAlto, pó e suor juntos
Torneio com dois jogos no diaAcumuladaAcumuladaReidratar entre jogos, não só depoisAlto, pele sem tempo de secar
Treino intervalado de duas horasMédia a altaAltaPausas programadas para beberMédio

Erros comuns em jogo longo

intenso e o déficit já está formado.

extremos leva à diluição perigosa do sódio no sangue.

mais do que qualquer bebida especial.

perdoa novidade.

aplicação rende mais em pele limpa e seca, de preferência à noite.

seguinte do torneio.

alerta.

Quando procurar médico

jogo

ser avaliado com urgência

O limite do que a pele resolve

Nada aplicado na axila muda a temperatura central, o volume plasmático ou a perda de sódio. Essas variáveis se administram com sombra, ritmo, líquido, sal quando indicado e bom senso sobre o horário do jogo.

O que um antitranspirante faz, e faz de forma consistente, é reduzir suor e umidade na dobra da axila. Em partida longa isso tem valor concreto: menos maceração ao longo de horas e menos atrito no movimento repetido do braço de saque, que é a queixa mais comum de quem joga muito.

Vale insistir na parte honesta: a axila é uma fração pequena da superfície corporal e da perda total de suor. Reduzir o suor ali não reduz o suor do corpo, não atrapalha a termorregulação e também não vai salvar ninguém de jogar às duas da tarde em quadra dura sob sol aberto.

Perguntas frequentes

Quanto de líquido dá para repor durante uma partida?

Menos do que se perde em dia quente. O esvaziamento gástrico limita a absorção a algo em torno de um litro por hora, e as pausas de tênis são curtas. Perder de 1 a 2 por cento do peso corporal ao longo de uma partida longa é comum e recuperado depois, com líquido e sal ao longo das horas seguintes.

Trocar de camisa no meio do jogo esfria o corpo?

Não de forma relevante. Uma camisa encharcada até favorece a evaporação, porque espalha água em área maior. A troca resolve peso, conforto, atrito na cava e a sensação de roupa colada, o que já justifica o gesto.

Bebida com sal é necessária ou basta água?

Depende da duração e da taxa de suor. Em jogo curto, água resolve. Em partida longa com muito suor, repor apenas água pura em grande volume pode diluir o sódio do sangue. Nesse cenário faz sentido incluir sódio na reposição, e um profissional consegue ajustar isso ao seu caso.

Cãibra no fim do jogo é falta de potássio?

Potássio costuma levar a culpa injustamente. As duas explicações com mais apoio são a fadiga neuromuscular local e a perda importante de sódio em quem tem suor muito salgado. Cãibra recorrente merece conversa com médico ou nutricionista esportivo, não suplementação por conta própria.

Jogar sempre no calor faz o corpo se adaptar?

Sim, existe aclimatação. Em uma a duas semanas de exposição regular, o corpo passa a suar mais cedo, em maior volume e com menos sódio, além de aumentar o volume plasmático. A adaptação é real, mas não elimina a necessidade de beber nem o risco em condições extremas.

Vale passar antitranspirante antes de entrar em quadra?

A aplicação em pele limpa e seca, de preferência à noite, é mais eficaz do que passar minutos antes do jogo sobre pele já aquecida. Aplicar em cima da hora tende a render menos e a sair mais fácil com o suor.

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