Soffie

Blog›Comparativos e escolhas

Selos cruelty free: quais existem e o que cada um exige

Publicado em 26 de agosto de 2026 · por Soffie Biocosméticos

Resposta direta

Os principais programas internacionais são o Leaping Bunny, administrado pela Cruelty Free International, e o Beauty Without Bunnies, da PETA, aos quais se somam selos veganos que incluem exigência de não testar em animais, como o da Sociedade Vegetariana Brasileira. A diferença entre eles está no rigor da verificação: alguns exigem declaração de toda a cadeia de fornecedores, data de corte fixa e renovação anual com possibilidade de auditoria independente, enquanto outros se baseiam em declaração assinada pela empresa, sem auditoria obrigatória. Nenhum selo garante que o produto seja vegano, seguro ou eficaz, porque essas são perguntas separadas. No Brasil, a Lei 14.228, de outubro de 2021, proíbe o uso de animais em pesquisa e desenvolvimento de cosméticos e seus ingredientes em território nacional, o que reduz o poder do selo como diferencial local.

O problema que a certificação existe para resolver

Uma empresa que fabrica cosmético raramente testa qualquer coisa em animal. O ponto sensível nunca esteve na linha de produção final, e sim três degraus atrás, na cadeia de matérias-primas.

Uma fórmula de desodorante usa entre dez e trinta ingredientes, comprados de fornecedores que por sua vez compram de outros. Cada um desses ingredientes tem um dossiê toxicológico construído ao longo de décadas, e parte relevante desses dados veio de ensaios em animais feitos nos anos 1970, 1980 e 1990, quando não havia alternativa validada.

Daí surge o conceito central de qualquer certificação séria: a data de corte fixa. A empresa se compromete a não encomendar nem aceitar dados de testes em animais realizados depois de uma data definida, para si e para seus fornecedores. Sem esse marco, a alegação seria impossível de sustentar, porque quase todo ingrediente clássico carrega dados antigos.

O segundo elemento é a declaração em cadeia. A certificadora exige que a empresa colete declarações de cada fornecedor de matéria-prima, e às vezes dos fornecedores destes. É um trabalho documental grande, e é exatamente isso que separa os programas rigorosos dos programas declaratórios.

Os programas que valem conhecer

Leaping Bunny. Administrado pela Cruelty Free International, é o padrão mais exigente entre os internacionais. Exige data de corte fixa, sistema de monitoramento de fornecedores, renovação anual do compromisso e sujeição a auditoria independente. O logo é um coelho em salto, e a organização mantém lista pública de empresas aprovadas.

Beauty Without Bunnies, da PETA. Baseia-se em declaração assinada pela empresa, comprometendo-se a não testar nem encomendar testes em animais para produtos e ingredientes, em nenhum mercado. Não há auditoria obrigatória. O programa mantém duas listas separadas: uma de empresas que não testam e outra de empresas que não testam e são também veganas. É mais acessível e, por consequência, menos verificado.

Selo Vegano da Sociedade Vegetariana Brasileira. É um selo vegano, e não um programa exclusivamente de teste animal, mas exige as duas coisas: ausência de ingredientes de origem animal e ausência de testes em animais. Para o consumidor brasileiro, costuma ser o mais fácil de verificar.

Programas absorvidos. O Choose Cruelty Free australiano, que operava com critérios próprios, foi incorporado pela Cruelty Free International em 2020, o que reduziu o número de padrões concorrentes.

Existe ainda uma categoria que não é certificação: o coelho genérico desenhado na embalagem, sem indicação de qual organização o concedeu. Isso é ilustração, não selo.

O que a lei já resolve, e onde o selo ainda pesa

Aqui a informação regulatória muda bastante a leitura do rótulo, e é preciso dizê-la com data.

Na União Europeia, o Regulamento (CE) 1223/2009 consolidou uma proibição em etapas: testes em produtos acabados foram vedados em 2004, testes em ingredientes em 2009, e a proibição de comercializar produtos com ingredientes testados em animais tornou-se plena em 11 de março de 2013.

No Brasil, a Lei 14.228, sancionada em outubro de 2021, proíbe o uso de animais em atividades de pesquisa e desenvolvimento de produtos cosméticos, de higiene pessoal, perfumes e seus ingredientes em território nacional. Antes dela, resoluções do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal já haviam restringido o uso quando existiam métodos alternativos validados.

A consequência é desconfortável para o marketing: no Brasil, não testar em animais deixou de ser diferencial e passou a ser obrigação legal. O selo continua fazendo sentido por dois motivos, porém. Primeiro, porque cobre a cadeia internacional de fornecedores, que não está sob a lei brasileira. Segundo, porque documenta a política da empresa em mercados que mantiveram exigências próprias.

Sobre esse último ponto, a situação chinesa mudou. A exigência de teste em animais para cosméticos importados era o principal obstáculo para marcas globais. A partir de maio de 2021, a China passou a admitir isenção dessa exigência para categorias consideradas comuns, mediante condições documentais, mantendo regras mais estritas para categorias especiais. É uma mudança relevante, mas não uma proibição geral.

Postas essas mudanças, a comparação entre os programas fica mais fácil de ler.

ProgramaData de corte fixaVerificação de fornecedoresAuditoria independenteCobre também vegano
Leaping BunnySimSim, documentada em cadeiaPrevistaNão
PETA Beauty Without BunniesSimPor declaração da empresaNão obrigatóriaEm lista separada
Selo Vegano SVBSimDocumentalPrevistaSim, é o objeto principal
Coelho genérico sem certificadoraNão se aplicaNenhumaNenhumaNão
Alegação apenas em textoNão se aplicaNenhumaNenhumaNão

O que substituiu o animal na avaliação

Vale entender o que existe no lugar, porque é a parte técnica mais interessante e a menos divulgada.

Para irritação e corrosão de pele, usa-se epiderme humana reconstruída em laboratório, um tecido tridimensional cultivado a partir de queratinócitos humanos, com camada córnea funcional. A substância é aplicada e mede-se a viabilidade celular.

Para sensibilização, o caminho é mais elegante. Descreveu-se a sequência de eventos que leva à alergia de contato, do vínculo da substância com proteínas da pele até a ativação de células de defesa. Cada etapa dessa sequência ganhou um ensaio próprio, um químico e dois celulares, e a combinação dos resultados permite classificar o potencial da substância sem usar animal.

Para irritação ocular, existem métodos com membrana de ovo embrionado e com córnea bovina obtida de abatedouro, além de modelos de epitélio córneo reconstruído.

Nenhum desses métodos é perfeito, e a validação de cada um levou anos. Mas o conjunto já cobre a maior parte das perguntas que um cosmético precisa responder.

Erros comuns

obrigatória e é feita por métodos alternativos validados.

na sua pele.

atualizada é a base pública da certificadora, não a embalagem antiga no armário.

Quando procurar médico

dermatologista

O limite do selo

Um selo cruelty free responde bem à pergunta que se propõe a responder, e essa pergunta é ética. Para quem faz da compra uma escolha de valores, é uma informação legítima e útil, e a diferença entre um programa auditado e um declaratório importa.

O que ele não faz é dizer se o produto é seguro para você, se irrita, se sensibiliza ou se funciona. Essas respostas vêm da lista de ingredientes, dos testes de tolerância e, no fim, do seu próprio histórico de reações. Misturar os dois planos é o erro mais comum de quem tenta comprar com critério e acaba escolhendo pelo símbolo mais bonito da embalagem.

Perguntas frequentes

Cruelty free e vegano são a mesma coisa?

Não. Cruelty free trata de testes em animais e vegano trata de ingredientes de origem animal. Um produto pode conter cera de abelha e nunca ter sido testado em animais, ou ser totalmente vegetal e ter passado por testes em algum mercado.

O que é data de corte em certificação cruelty free?

É a data a partir da qual nenhum teste em animais é aceito para a empresa nem para seus fornecedores. Ela existe porque quase todos os ingredientes clássicos foram testados décadas atrás, e sem esse marco nenhuma fórmula conseguiria certificação.

Testes em animais para cosmético são proibidos no Brasil?

Sim. A Lei 14.228, sancionada em outubro de 2021, proíbe o uso de animais em atividades de pesquisa e desenvolvimento de produtos cosméticos, de higiene pessoal, perfumes e seus ingredientes no território nacional.

Como um cosmético é avaliado sem animais?

Por métodos alternativos validados internacionalmente. Irritação e corrosão de pele são avaliadas em epiderme humana reconstruída em laboratório, e o potencial de sensibilização é estimado por uma combinação de ensaios químicos e celulares que reproduzem etapas conhecidas do processo alérgico.

Um selo cobre a empresa toda ou só a marca?

Depende do programa. Alguns certificam a marca isoladamente, outros exigem compromisso do grupo empresarial. Por isso é comum ver marcas certificadas pertencentes a grupos que operam em mercados com exigência de teste animal.

Onde verificar se um selo é verdadeiro?

Nas bases públicas das próprias organizações certificadoras, que mantêm listas atualizadas de empresas e marcas aprovadas. O desenho de um coelho na embalagem, sem indicação da certificadora, não é verificável.

Clinical Sensitive 48h Hipoalergênico e sem perfume · a partir de R$ 39,90/un
Ver produto