Natação e cloro: o que acontece com a pele da axila
O cloro e seus subprodutos removem lipídios da barreira cutânea, deixando a pele mais seca e mais permeável, o que aumenta a chance de irritação por produtos aplicados depois. Para quem nada, a rotina que funciona é aplicar o antitranspirante à noite, e não antes do treino, porque na água o produto recém-aplicado é removido antes de agir. Depois de nadar, o passo que mais protege é enxaguar imediatamente com água corrente para retirar o resíduo de cloro, secar bem e hidratar com fórmula sem fragrância.
O que o cloro faz
A cloração da piscina existe para controlar microrganismos, e faz isso bem. O efeito colateral é sobre a sua pele.
O cloro e os subprodutos formados na reação com matéria orgânica da água removem lipídios da camada mais externa da pele. Esses lipídios são a matriz que mantém a barreira coesa.
Com menos lipídios, duas coisas acontecem ao mesmo tempo:
A pele perde mais água, e fica seca, áspera e repuxada.
A pele deixa entrar mais substância, e passa a reagir a produtos que antes tolerava.
Some a isso o tempo de imersão e, para quem treina, a frequência: uma pessoa que nada cinco vezes por semana não dá à barreira tempo suficiente para se recompor entre uma sessão e outra.
Na axila isso pesa mais, porque a pele ali já é mais fina que a média do corpo e ainda é depilada com frequência.
O erro de horário
Passar antitranspirante antes de nadar não funciona, e vale entender por quê.
O ativo precisa de contato com pele seca e de tempo para reagir com o suor dentro do canal da glândula e formar o tampão. Aplicado momentos antes de entrar na água, ele é simplesmente removido antes de agir.
O correto é à noite, depois do banho, sobre pele bem seca. Assim ele tem horas de transpiração baixa para trabalhar.
E, uma vez formado, o tampão resiste parcialmente à água, porque está dentro do ducto, e não sobre a superfície. Essa é a diferença entre proteção construída na véspera e produto aplicado na hora.
A rotina que funciona
Antes de entrar
- Molhe-se no chuveiro antes de entrar na piscina. Pele já saturada de água limpa
absorve menos água clorada
- Nada de aplicar antitranspirante nesse momento
Depois de sair
- Enxágue imediatamente em água corrente. Este é o passo mais importante da lista.
Quanto mais tempo o resíduo fica na pele, mais ele age
- Sabonete sem fragrância e de pH próximo ao da pele. Não use nada esfoliante
- Água morna, não quente. Água quente potencializa o ressecamento que o cloro já causou
- Seque com toque leve, encostando a toalha
- Hidratante sem fragrância, textura leve na axila. Aqui ele rende muito, porque você
está repondo o que o cloro removeu
- Troque a roupa molhada logo. Maiô úmido por horas favorece maceração nas dobras
À noite
- Antitranspirante, sobre pele bem seca, em quantidade pequena
- Se a pele estiver ardida, pule esse dia. Insistir sobre pele já agredida prolonga o quadro
Depilação e piscina
Quem nada costuma depilar com frequência, e a combinação merece cuidado.
Pele recém-depilada tem a barreira temporariamente comprometida. Entrar na piscina nesse estado soma duas agressões, e ainda expõe folículos abertos a uma água compartilhada.
O arranjo mais confortável:
- não depile no mesmo dia do treino
- prefira depilar depois de nadar, e não antes
- deixe pelo menos um dia entre depilação e piscina, quando der
Se a pele já está irritada
O quadro típico de quem nada muito é ressecamento com descamação fina, sem vermelhidão intensa. Isso é barreira comprometida, não alergia.
O que resolve:
- Suspenda o antitranspirante por alguns dias
- Hidrate duas vezes ao dia, com fórmula sem fragrância e textura leve
- Reduza a temperatura da água do banho
- Suspenda esfoliante e depilação na região
- Volte ao produto quando não houver mais descamação nem ardência ao contato com água
Vale saber que a barreira leva de duas a quatro semanas para se recompor de fato, mesmo quando o desconforto passa em poucos dias. É nesse intervalo que a maioria das recaídas acontece.
O que a fórmula precisa ter
Para quem nada com frequência, o critério aperta, porque a pele está em estado de agressão recorrente:
- sem fragrância, causa mais frequente de dermatite de contato alérgica, e que penetra
mais numa barreira comprometida
- sem álcool, que dissolve exatamente os lipídios que o cloro já removeu
- com ativo calmante, que compensa a adstringência do antitranspirante
- hipoalergênico, única alegação de rótulo que exige teste clínico no Brasil
Quando procurar médico
- vermelhidão que não melhora depois de dias com hidratação e sem produto
- descamação com fissura que sangra
- coceira intensa, sobretudo se aparecer de 12 a 72 horas depois da exposição, que é o
padrão de reação alérgica
- lesões com pus ou odor
- quadro que se repete sempre, mesmo com toda a rotina de cuidado
Também vale mencionar ao dermatologista se você tem dermatite atópica, porque nesse caso a barreira já é estruturalmente mais frágil e a rotina de piscina exige mais atenção.
Perguntas frequentes
Devo passar antitranspirante antes de nadar?
Não adianta. O produto recém-aplicado é removido pela água antes de formar o tampão no canal da glândula. Aplique à noite anterior.
O antitranspirante aguenta a piscina?
Um tampão já formado resiste parcialmente à água, porque está dentro do ducto e não sobre a pele. O que não resiste é produto aplicado minutos antes.
Por que a pele fica tão seca depois da piscina?
Porque o cloro e seus subprodutos removem lipídios da barreira. Com menos lipídios, a pele perde mais água e deixa entrar mais substância.
Enxaguar depois faz diferença mesmo?
Faz bastante, e quanto antes melhor. Enxaguar em água corrente logo ao sair retira o resíduo que continuaria agindo na pele enquanto seca.
Preciso de sabonete especial?
Não de um específico para piscina. O que ajuda é um sabonete sem fragrância e de pH próximo ao da pele, porque a barreira já está comprometida.
